15 dezembro 2015

Adormecida






Como todas as noites de quinta-feira, o velho se dirigia a casa principal de Madame Bolívar.
O quarto já estava preparado, e na cama a jovem já encontrava-se adormecida.
O chá era dado meia hora antes, o qual fazia com que a adolescente adormecesse e somente despertasse no dia posterior.
Madame Bolívar o recebia com um saudoso aceno de cabeça e o conduzia até o segundo andar, onde estavam localizados todos os quartos da grande mansão.
Ela o acompanhava até o dormitório e repetia a única regra estabelecida pela casa:  - sem penetração! e saia deixando-o a sós com a linda mocinha que jazia desmaiada nos lençóis de seda branca.

Ele sabia que muitos clientes frequentavam a casa, homens de alta posição social e títulos.
Ele mesmo estivera por muitas noites ali, entre vários dormitórios distintos, com varias mocinhas como aquela.

Pensou no que ocorreria a uma jovem para se submeter a tal função. Ele já havia estado com outras jovens como aquela, mas essa se tornara sua preferida, sempre gostou de ruivas por serem raras.

Mas aquela seria uma noite especial, pois ele também adormeceria.

Duas batidas leves na porta e a criada entrou trazendo o bule e uma xícara, fazendo uma reverência rapidamente e saiu.

O velho, despiu-se lentamente. Caminhou até a mesa onde o bule com a água fervente fora depositado.

Despejou o líquido na xícara... Sentou na beirada da cama e sorveu em um gole o líquido quente, suas bochechas ficaram rosadas instantaneamente.

Observou a garota por mais de meia hora...Tocou-lhe as pernas, os seios, o macio cabelo que esparramava-se no travesseiro.

Despediu-se e deitou-se, aquela seria a ultima vez do velho.

Fim.

Baseada no romance de Yasunari Kawabata e o filme beleza adormecida.