25 outubro 2014

O anjo perdido






Capitulo 1

O velho abriu os olhos piscando duas vezes até relembrar aonde se encontrava. O quarto do hospital  não estava totalmente escuro,apesar das luzes artificiais estarem apagadas,era iluminado com um pequeno feixe de luz lunar.
Sentou-se com esforço, virando-se para agarrar a jarra metálica com água na mesa de refeições. A jarra estava vazia,o que fez com que resmungasse tateando sob os lençóis o botão que chamaria uma das enfermeiras.
A demora da presença requisitada o irritava, sempre fora servido com urgência, pensou nos criados a quem sempre repreendia quando se demoravam em atender seus constantes chamados. Com certeza reclamaria com o diretor daquela espelunca, ele pagava por um plano de saúde digno,deveria se atendido como tal.
A irritabilidade o fez jogar a jarra no chão, causando um grande barulho,o que deduziu  fazer com que viessem o quanto antes ao leito.
Mais alguns minutos se passaram, levantou-se devagar, sentando-se e calçando os pés nos chinelos que estavam lado a lado vagarosamente.Ser velho exige um grande esforço em tudo que se faz, e todo corpo parece  gritar quando pequenas agulhas parecem fincar nos ossos e juntas,esse é o preço de se viver por mais tempo e carregar consigo o que fizera com o corpo ao longo dos anos.
Andou até a porta do quarto espiando o corredor vazio e escuro...Não havia nenhum tipo de movimento presente,exceto o som do rádio rouco e baixo na recepção do andar...o som era abafado  mas ainda assim perceptível, o locutor anuncia a próxima banda a tocar, The Rasmus...
- Enfermeira...Enfermeira... chama com dificuldade, o peito doía por causa da má circulação dos pulmões, já que estava com pneumonia. Tocou a campainha uma vez ,depois outra, e outra, irritadiço apertou 3 vezes seguidas...ninguém surgiu.Aquilo o estava cansando,um homem enfermo não deveria passar por isso pensou, foi quando sentiu algo ou alguém passando atrás de suas costas.
Olhou o corredor que outrora estava escuro e vislumbrou uma porta entre aberta e de lá ouvia-se baixinhos sussurros.Caminhou curioso, parou frente a porta, e espiou pela fresta que lhe permitia visualizar um rapaz de longos cabelos loiros fechando os olhos de uma senhora que deveria ter acabado de dormir, ou falecer.
O rapaz então fez uma oração silenciosa, virou-se na direção da porta,olhando diretamente para o velho que o espreitava, e para sua surpresa,o rapaz tinha olhos vermelhos.

Assustado,virou rapidamente para o corredor,mas esse movimento brusco lhe causou uma ligeira tontura,tudo ficou preto de repente e o velho apagou.