Capitulo 1
O velho abriu os olhos piscando duas vezes até relembrar aonde
se encontrava. O quarto do hospital não
estava totalmente escuro,apesar das luzes artificiais estarem apagadas,era
iluminado com um pequeno feixe de luz lunar.
Sentou-se com esforço, virando-se para agarrar a jarra metálica
com água na mesa de refeições. A jarra estava vazia,o que fez com que resmungasse
tateando sob os lençóis o botão que chamaria uma das enfermeiras.
A demora da presença requisitada o irritava, sempre fora
servido com urgência, pensou nos criados a quem sempre repreendia quando se
demoravam em atender seus constantes chamados. Com certeza reclamaria com o
diretor daquela espelunca, ele pagava por um plano de saúde digno,deveria se
atendido como tal.
A irritabilidade o fez jogar a jarra no chão, causando um
grande barulho,o que deduziu fazer com
que viessem o quanto antes ao leito.
Mais alguns minutos se passaram, levantou-se devagar, sentando-se e calçando os pés nos chinelos que estavam lado a lado vagarosamente.Ser velho exige
um grande esforço em tudo que se faz, e todo corpo parece gritar quando pequenas agulhas parecem fincar
nos ossos e juntas,esse é o preço de se viver por mais tempo e carregar consigo
o que fizera com o corpo ao longo dos anos.
Andou até a porta do quarto espiando o corredor vazio e
escuro...Não havia nenhum tipo de movimento presente,exceto o som do rádio
rouco e baixo na recepção do andar...o som era abafado mas ainda assim perceptível, o locutor
anuncia a próxima banda a tocar, The Rasmus...
- Enfermeira...Enfermeira... chama com dificuldade, o peito
doía por causa da má circulação dos pulmões, já que estava com pneumonia. Tocou a
campainha uma vez ,depois outra, e outra, irritadiço apertou 3 vezes seguidas...ninguém surgiu.Aquilo o estava
cansando,um homem enfermo não deveria passar por isso pensou, foi quando sentiu
algo ou alguém passando atrás de suas costas.
Olhou o corredor que outrora estava escuro e vislumbrou uma
porta entre aberta e de lá ouvia-se baixinhos sussurros.Caminhou curioso, parou
frente a porta, e espiou pela fresta que lhe permitia visualizar um rapaz de
longos cabelos loiros fechando os olhos de uma senhora que deveria ter acabado
de dormir, ou falecer.
O rapaz então fez uma oração silenciosa, virou-se na direção
da porta,olhando diretamente para o velho que o espreitava, e para sua
surpresa,o rapaz tinha olhos vermelhos.
Assustado,virou rapidamente para o corredor,mas esse
movimento brusco lhe causou uma ligeira tontura,tudo ficou preto de repente e o
velho apagou.
