Amante Duplamente
A chuva estava forte, eram cinco e meia da manhã e ela
pulava entre as poças para evitar molhar seus sapatos novos. A blusa de frio
serviu como capa para cobrir o cabelo e os ombros, já que havia saído sem o
guarda chuva. Correu saltando as poças que se formavam em toda a rua ... Ela xingava
mentalmente o fato de ter acabado de sair de uma gripe de quase duas semanas, e
agora tomava a maior chuva e encontrava-se ensopada. Já eram quase seis da
manhã e já se percebia o amanhecer surgindo em meio ao tempo nublado.
A chuva apertou, e mal conseguia ver a sua frente, andando
em zigue zagues o mais depressa que conseguia. Faltava pouco para chegar em
casa, mais alguns passos apenas, e foi aí que ela os viu.
Eram 5 homens que aparentavam estar numa briga, a posição de
combate, as armas estranhas em punho...Ela parou, afinal, não queria de repente
ser alvejada por uma bala perdida ou mal direcionada. Um dos cinco homens caiu
ao chão com a mão na costela, provavelmente fora atingido anteriormente, os quatro
restantes começaram a chuta-lo e pisotea-lo. Ela estava petrificada com a cena, o que poderia fazer, será que
matariam o cara no chão, não queria se envolver,
não sabia o que havia ocorrido...Um dos quatro homens pegou algo do chão,
parecia uma faca, ele ia atingir o homem com aquilo... Ela gritou...não conseguiu se
conter ao vê-lo quase golpeando o outro homem.
Eles olharam-na na hora, entreolharam-se e estranhamente
fugiram. Ela achou estranho e olhou para trás para certificar-se que nada mais
assustador estaria presente. Mas não, eles simplesmente fugiram por causa dela.
Ela pegou o celular tremula, tentou discar para a ambulância
enquanto caminhava ate o homem caído, precisava ajuda-lo de alguma forma. Ele
estava embrulhado em seus braços e falava algo muito baixinho.
Ela colocou o celular no bolso e abaixou para ouvi-lo
Sr. Já chamei ajuda...O Sr está bem?
Ele virou para ela e susurrava... ele vestia roupas de
moletom, e a toca cobria seu rosto, mas mesmo assim ela pode vislumbrar sua
boca, que gemia e emitia um som baixo. Ela aproximou-se para ouvi-lo
A luz...o sol...
Ela olhou para cima, realmente o dia já estava se
anunciando, mas o que aquilo importava, afinal ele estava ferido e...ela viu em
sua feição que sofria com os ferimentos, e quando ele gemeu, ela vislumbrou
claramente que ele tinha presas.
Aquilo poderia ser a maior loucura que faria, mas aquele
cara poderia ser um vampiro. Ela o cobriu com seu casaco e correu até o prédio
e pediu ajuda ao porteiro, disse que o primo havia bebido e se metido em uma
briga.. o porteiro ajudou –a a levar o homem para seu apartamento, curioso, ficou
fazendo perguntas a ela que respondia monossilábica.
O porteiro ajudou-a a deitar o homem encapuzado em sua cama,
ela agradeceu a ajuda lhe dando uma nota de 20 para o “cafezinho” e fechou a
porta em sua cara.
Ela cobriu as janelas com a cortina, fechou a porta do
banheiro da suíte em que estavam, o sol era visto apenas por baixo da porta.
Ele gemia, ela se aproximou sem saber o que fazer...
Como posso ajuda-lo? Chamo médicos?
Só preciso dormir...
Ela saiu do quarto aflita, ele era sim um vampiro, com
certeza, mas o que ela faria?
Foi para o quarto dos pais e trancou a porta, iria tentar
descansar e no fim da tarde voltaria para falar com o homem vampiro.
Continua...